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Santíssima Trindade Tricolor.

10 out

Como Rogério Ceni, Juvenal Juvêncio e Milton Cruz controlam o dia a dia do time e dos técnicos que topam a árdua missão de comandar o São Paulo.

Sai técnico, entra técnico, a cena é corriqueira há mais de uma década. Rogério é o dono do vestiário são-paulino. Na retaguarda, o presidente Juvenal Juvêncio dá suas cartadas no time através do vigilante Milton Cruz, seu braço direito nas contratações e porta-voz dos comandos aos jogadores. Três figuras-chave nas campanhas vitoriosas da Libertadores, do Mundial e do tricampeonato brasileiro, que, na persistente instabilidade do clube após a demissão de Muricy Ramalho, entretanto, passaram a compor uma velada rede de avaliação dos treinadores que transitam pelo Morumbi.

A influência de Rogério Ceni transcende a ingerência que por vezes atravessa a comissão técnica. Em parceria com Milton Cruz, ele prospecta jogadores, como fez com Rivaldo, e ajuda a “amolecer” as sondagens àqueles que interessam à diretoria — a exemplo do atacante Washington, em 2008. Ídolo da torcida e afagado pelos cartolas, o camisa 1 segue intocável no clube, imune à troca de técnicos e aos tropeços.

Quando Muricy foi demitido, em junho de 2009, e Rogério tratava de uma lesão no tornozelo, dirigentes são-paulinos cogitaram a promoção do capitão como interino. Juvenal vetou. Apesar de tocar a vaidade dos técnicos, os poderes do goleiro estão acima de qualquer suspeita no tricolor, inclusive dos jogadores mais experientes. “A liderança do Rogério é positiva e se sustenta no seu conhecimento de futebol e do clube”, diz o ex-atacante Fernandão, que exercia papel semelhante ao de Rogério no Inter quando jogador.

Na mediação entre o camisa 1 e a presidência, Milton Cruz acumula funções de observador, auxiliar técnico e consultor de Juvenal. Além de correr atrás dos reforços, ele faz o meio-campo das negociações e a ponte entre os jogadores da base para o time principal. Desfruta de autonomia que auxiliares de outros clubes não têm. Os técnicos, desde o fim da era Telê, o consultam com frequência nas escalações. Seu cargo nunca esteve a perigo. Quando um técnico cai, é Milton quem segura a bronca e comanda o time interinamente.

Mesmo conhecendo bem os jogadores e sendo o principal responsável pela montagem do elenco, o auxiliar não se arrisca na carreira de técnico. Em 2003, o ex-goleiro e auxiliar tricolor, Roberto Rojas, assumiu a equipe e levou o São Paulo de volta à Libertadores após dez anos. O chileno, no entanto, foi demitido na primeira série de maus resultados. No ano passado, Sérgio Baresi, técnico dos juniores, tomou as rédeas do time principal. Durou apenas dois meses e, chamuscado, retornou para a base. Em ambos os casos, Milton Cruz era o auxiliar, mas seguiu com o emprego preservado. “É mais fácil achar um treinador do que alguém que faça o meu trabalho no clube”, justifica.

Entretanto, o auxiliar não goza com alguns diretores do mesmo prestígio que tem com Juvenal. Alguns dirigentes condenam sua postura de “cartola”. Argumentam que, se algum reforço vinga, Milton canta que “contratou”. Se dá errado, porém, joga a responsabilidade para os diretores. “Ele é vaidoso. A maioria dos jogadores que ele disse que trouxe não procede. Não é função dele contratar, mas sim da diretoria”, afirma o vice-presidente Carlos Augusto de Barros, o Leco.

No fim de 2010, Leco repreendeu Milton Cruz pela divulgação da sondagem ao inglês David Beckham em uma viagem a Los Angeles. Conselheiros sustentam que o próprio Juvenal contribui para alimentar a ciumeira. Episódios em que o presidente pede licença a aliados para conversar a sós com Milton durante reuniões estratégicas enfurecem os dirigentes e inflam o ego do olheiro. Em janeiro, o superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha pediu demissão, alegando não ser mais ouvido pela direção.

Enfraquecida no clube, a oposição a Juvenal aproveita a dança das cadeiras de técnicos desde a saída de Muricy, e os fracassos recentes no Paulistão e na Copa do Brasil, para atacar o vangloriado “modelo de gestão” tricolor. “Milton e Juvenal se gabam até hoje da barca trazida do Goiás em 2003, que foi a base do time campeão mundial. Isso há oito anos. A filosofia de trabalho está totalmente ultrapassada”, diz Edson Lapolla, candidato derrotado nas eleições de abril que questiona o terceiro mandato de “JJ” na Justiça. Opositores do presidente ainda creditam o insucesso dos últimos treinadores à interferência de Juvenal na equipe ao impor seus jogadores e não dar espaço para indicações da comissão técnica.

Para Lapolla, Muricy sofreu calado com a intromissão da diretoria em seu trabalho e manteve-se por tanto tempo no comando por causa dos títulos e pela amizade com Milton Cruz, Rogério Ceni e Juvenal. “Todo presidente de clube intervém no time. Não é um privilégio nosso”, aponta Leco. Após a demissão de Muricy, em 2009, os três técnicos que assumiram o tricolor não resistiram por mais de um ano. Agora é a vez de Adílson Batista enfrentar o crivo impiedoso da Santíssima Trindade. Ele passou no teste em seu batismo no vestiário. Mas nem Rogério nem Juvenal irão carregar sua cruz caso não consiga recolocar o São Paulo no caminho das conquistas.

Atenção especial dada a Neymar, ajuda a empurrar Ganso para São Paulo.

13 set

Perrone, Blog do Perrone

O desejo de Ganso de trocar Vila Belmiro pelo São Paulo tem muito a ver com Neymar. De acordo com interlocutores do meia, apesar de se dar muito bem com o atacante o Paulo Henrique se incomoda com o tratamento diferenciado dado ao atacante.

Não se trata de inveja, segundo quem convive com Ganso. Mas de como tudo fica em segundo plano no Santos se não envolve o astro.

 A principal queixa é de que enquanto todas as vontades de Neymar são prontamente atendidas, os pedidos de Ganso geram polêmica e costumam virar motivo para guerra. E que nesse ritmo, o Santos nos últimos anos se transformou num time que trabalha sempre em função de sua principal estrela. Assim, Ganso se sentiu desvalorizado.

Por sua vez, a diretoria se defende dizendo que fez de tudo para valorizar o meia. E que ele não aceitou projeto de carreira semelhante ao oferecido a Neymar.

Santos admite receber R$ 23,8 mi, e Ganso deve fechar com o São Paulo.

13 set

Por Alexandre Lozetti e Marcelo Hazan – São Paulo e Santos

São Paulo, Santos, DIS e Paulo Henrique Ganso caminham a passos largos para o fim da novela que deve levar o meia ao Morumbi até o fim desta semana. Pela primeira vez, o presidente do Peixe, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, admite que pode negociar o jogador pelo valor proporcional aos 45% dos direitos econômicos do atleta a que o clube tem direito, correspondente a R$ 23,8 milhões. Antes, o Peixe batia o pé pela quantia integral: R$ 53 milhões.

Isso porque o DIS, que detém 55%, deverá abrir mão de receber, por enquanto, pela negociação, em documento. Nesse caso, poderia lucrar numa eventual negociação do Tricolor com outro clube. Assim, o São Paulo precisa topar adquirir somente os 45% do Santos por um valor superior ao que estava disposto a pagar. A primeira oferta foi de R$ 23 milhões, e a seguinte, de aproximadamente R$ 30 milhões, ambas pela totalidade dos direitos. Agora, São Paulo e DIS terão de chegar a um acordo sobre como o grupo será beneficiado no futuro.

– Nem adianta o São Paulo apresentar uma proposta se for inferior aos R$ 23,8 milhões. Vão gastar tinta e papel. Esse é o número para o Ganso sair do Santos. O assunto já encheu, é difícil ficar cuidando só disso na vida. Tenho um monte de outras coisas importantes para tratar – afirmou o presidente do Santos, em entrevista à Rádio Globo.

Para que o anúncio seja feito, o acordo precisa ser colocado no papel. O DIS quer ver Ganso no Morumbi e deverá documentar que abre mão de sua parte para novamente não perder dinheiro em uma transação com o Peixe. A empresa entende que teria dificuldades para receber caso o Santos tivesse de repassar o valor, já que brigam na Justiça por situação semelhante envolvendo Wesley, hoje no Palmeiras. Em 2010, o volante foi vendido para o Werder Bremen, e o Peixe não repassou o valor que a empresa entendia ser o correto.O caso ainda está sendo discutido na Justiça.

Nos últimos três dias, uma série de reuniões ocorreu para tentar selar o negócio, que já sofria pressão de todas as partes, principalmente de conselheiros santistas. Até mesmo o lateral-esquerdo Léo cobrou um desfecho, pois a situação estava tumultuando o ambiente do Peixe, e ouviu da diretoria que isso não demoraria a acontecer.

Os dirigentes dos clubes ficaram com a relação estremecida depois das acusações de aliciamento do Tricolor a Ganso feitas por Luis Alvaro, que ameaçou ir à Fifa. Do lado tricolor, o diretor de futebol Adalberto Baptista desmentiu a versão santista de que havia desistido do negócio. O boato, inclusive, deixou Ganso muito irritado. Até em função disso, as conversas finais ficaram entre Santos e DIS. Mesmo sendo inimiga declarada do Peixe, a empresa passou a intermediar o negócio com o São Paulo, por conta do desgaste entre os clubes ao longo da novela.

O mandatário santista também disse estranhar que todas as propostas de aumento salarial tenham sido recusadas por Ganso. A última, feita durante a negociação com o São Paulo, ainda não foi oficialmente respondida, mas o jogador e seus empresários já deixaram claro que não agradou.

Com a negociação quase concluída, resta colocar tudo no papel, e o contrato ser assinado, o que deve ocorrer nos próximos dias. O São Paulo confia plenamente na recuperação física e clínica de Ganso, que tem uma lesão na coxa esquerda e não tem previsão para voltar aos treinos. Nos dois últimos anos, o meia passou por duas cirurgias, uma em cada joelho, e alguns problemas musculares.

Luiz Rosan, fisioterapeuta da seleção brasileira, trabalha no clube, que também consultou o médico da Seleção, José Luiz Runco, e ouviu que o jogador não tem nenhum problema crônico.

No início desta semana, Flamengo e Grêmio demonstraram interesse na contratação do jogador, mas ele afirmou aos representantes que seu desejo era mesmo atuar no time paulista. Caso a contratação seja fechada, ele deverá usar a camisa 8, que pertence ao volante Fabrício, lesionado.

Comitê Gestor do Santos se reunirá hoje para avaliar proposta do SPFC por Ganso.

12 set

Segundo o Uol, o Comitê Gestor do Peixe se reunirá hoje para avaliar se aceita ou não a proposta do São Paulo por Paulo Henrique Ganso. De acordo com a reportagem, a diretoria do Santos tem interesse em finalizar o caso.

Há, contudo, uma dúvida se o São Paulo fez ou não uma nova proposta. Há informações de todos os lados, tornando difícil saber a verdade.

Marcello Lima, por exemplo, não diz o valor da nova proposta, mas informou que o tricolor não vai oferecer mais do que R$ 16 milhões ao Peixe – coincidentemente, esse é o valor que caberá ao alvinegro a partir de fevereiro de 2013.

Fábio Sormani, por sua vez, afirma que o São Paulo manteve a proposta de R$ 28 milhões feita anteriormente, coincidindo com o que dirigentes do tricolor afirmaram publicamente. Mas se o Comitê vai se reunir é porque alguma novidade deve existir – se não no montante total, ao menos na divisão do valor entre Santos e DIS.

Enquanto não se chega a uma definição, recomenda-se tranquilidade ao torcedor. O DIS espera novidades para amanhã, segundo a Folha SP. Mas ainda assim não se sabe quando o acerto pode ocorrer, nem se vai ocorrer. Na pior das hipóteses, dia 21 de setembro teremos um definição, pois é a data em que se encerram as inscrições para o Brasileirão.

Marco Aurélio Cunha: “Eu tenho um clube que me espera”.

11 set

Por Breiller Pires, da PLACAR

Ex-dirigente tricolor, Marco Aurélio Cunha culpa supervalorização da base pelos anos sem títulos do São Paulo e diz ter apoio da torcida para voltar como presidente.

Você saiu do São Paulo no início de 2011 alegando que não era mais ouvido. O que havia de errado na gestão do clube?
O São Paulo perdeu o rumo contratando treinadores em sequência. Carpegiani, Adílson, Leão… Nenhum deles tinha perfil parecido. A culpa não é só do Juvenal [Juvêncio]. A diretoria que o cerca tem vaidade, visão de poder, de querer mandar. O clube abriu mão de uma comissão técnica vitoriosa, com o Turíbio [Leite de Barros, fisiologista], o Carlinhos Neves [preparador físico] e eu. Essa comissão tinha conhecimento, poder de resistência. De rebater, não digo ordens, mas “sugestões” da presidência.

As ingerências de Juvenal no time atrapalham o ambiente?
O presidente Juvenal, quando diretor de futebol, tinha o mesmo comportamento. Era um sujeito que ia lá e dava um cavalo para o Souza. Na época antiga, brincava com o Careca e dobrava o bicho no vestiário. Mas ele fazia futebol, e não política de clube. Focado no futebol, você é aceito pelo grupo, como eu era, no sentido de sugestões e diálogo. Não havia conflito.

Casos como o veto ao zagueiro Paulo Miranda eram comuns?
Muitas vezes eu vi, com o próprio Muricy [Ramalho] e com outros treinadores, aquela conversa de mesa em que o Juvenal dizia: “Estou achando tal jogador falho…” Ele é o presidente, tem de opinar. Mas dizer “sai ou entra” extrapola os limites. É imposição.

Juvenal afirmou que seria um bom técnico para o São Paulo…
Isso foi uma bobagem do Juvenal. Profissionalmente, eu estou há mais de 30 anos no futebol. Convivi com grandes treinadores. Mas nenhum dirigente sabe dar treino. O treinador é quem ensina o jogador. Eu jamais poderia ser técnico. O presidente Juvenal também não.

“Com a estrutura do São Paulo, cria-se o jogador ‘filhinho de papai’: bem tratado, mas mal-acostumado. Eu me lembro de garotos exigindo lugar na equipe principal, como se fosse fácil”

O que mais o contrariou em seus últimos dias de clube?
Antes da saída do Ricardo Gomes, era o momento de rever conceitos, não de arriscar com um treinador da base [Sérgio Baresi] só porque ele ganhou uma Copa São Paulo, nos pênaltis. Foi como entregar a direção de um hospital a um médico residente, para criar uma nova fase, dos “meninos de Cotia”. Ninguém é mais favorável ao CT de Cotia que eu. Talvez seja a maior obra do São Paulo depois do Morumbi. Mas a gestão de pessoas lá nunca foi adequada.

O Corinthians, ao manter Tite e formar um time experiente, usou a fórmula que levou o São Paulo a ganhar a Libertadores?
O Corinthians sofria de ejaculação precoce na Libertadores e copiou o São Paulo, no bom sentido. Queriam ganhar de qualquer jeito, perdiam por ansiedade e buscavam culpados. Foi um time que observou o São Paulo e descobriu a chave do sucesso. O nosso, com a chave do sucesso nas mãos, resolveu mudar para consolidar uma política de base que tem méritos, mas não é prática com tantos jogadores ao mesmo tempo na equipe principal. No Mundial de 2005, havia só o Edcarlos da base, além do Rogério Ceni, que nasceu no São Paulo. Um time competente é um time experiente.

A diretoria está certa em segurar o Lucas e exigir o cumprimento do contrato?
O Lucas está na linha de Ganso e Neymar, dos fora de série que surgem no futebol brasileiro. Mas, no São Paulo, ainda há resistência em valorizar o jogador e fazer renovação antecipada. Por isso o Miranda foi embora de graça após o fim do contrato. Não posso concordar que isso tenha sido certo.

Você faz planos para voltar ao São Paulo?
Eu ouço isso todos os dias na rua, de torcedores e amigos: “Quando você volta?” Eu volto o dia que quiserem. Jamais forçarei minha volta.

O retorno passa pela presidência do clube?
O tempo vai dizer… Eu não antecipo que vou ser candidato a presidente porque seria desrespeito com gente que tem a mesma vontade. Mas resumo em uma frase: “Eu tenho um clube que me espera”.

Corinthians: tem “truque” na contratação de Anderson Polga.

11 set

Por Paulinho, BLOG DO PAULINHO.

Assim que o Corinthians oficializou a contratação do zagueiro Anderson Polga, 33 anos, que mesmo jovem nunca passou de jogador nível médio para baixo, desconfiamos do procedimento.

O atleta tem futebol semelhante ao de Paulo André, ambos lentos, embora o atual titular da zaga alvinegra, tecnicamente, seja melhor.

O negócio, em si, foi absolutamente duvidoso.

Consta, segundo registros da Confederação Portuguesa, que Polga foi dispensado pelo Sporting, em 24 de julho, após encerramento de contrato, sem que nenhum valor tenha sido dispendido.

No mesmo dia, o jogador foi inscrito no São José/RS, sem que o clube tenha colocado também a mão no bolso.

Tratava-se de uma estratégia do “esperto” empresário Gilmar Veloz, que já conversava com os sempre abertos a negócios dirigentes corinthianos.

Eis que no dia 5 de setembro, o Timão oficializa a contratação, arcando com R$ 2 milhões pelos direitos do atleta, pagos ao São José/RS, local que Polga sequer deve conhecer.

Evidentemente o destino da grana, pelo histórico das transações alvinegras nos últimos anos, não é difícil de ser imaginado.

Ou seja, o Corinthians contratou um jogador que foi dispensado, aos 33 anos, por deficiência técnica e pagou uma fortuna numa transação que nada deveria ter custado.

É ou não uma mina de Ouro ser dirigente de futebol no Parque São Jorge ?

“Técnico sem empresário está fadado ao fim da carreira”, diz colunista.

11 set

Promiscuidade

 *Texto originalmente publicado no caderno Super Esporte do jornal Estado de Minas, em 08/09/2012.

 

“Mais um exemplo de que dentro da Seleção Brasileira está havendo um cartel nas convocações. O Hulk vai para a Olimpíada e, em seguida, é uma das transferências mais caras da história do futebol. Agora, o goleiro Cássio, do Corinthians, que tem seus direitos econômicos ligados a pessoas da CBF, que se já não foi será vendido para a Roma. Quem leva?” Esta acusação foi feita pelo ex-jogador Romário (foto), hoje deputado federal. Senhoras e senhores, o que o Baixinho falou é a pura realidade do futebol. Ele esteve ali por mais de duas décadas e conhece como poucos os meandros e malandragens do esporte bretão. Sempre foi sério em seus negócios e, como representante do povo na Câmara dos Deputados, tem brilhado. Essa promiscuidade entre dirigentes, técnicos e jogadores virou moda neste país da corrupção e do faz de conta.

Hoje em dia, técnico sem empresário está fadado ao fim da carreira. Temos aqui um grande exemplo. Toninho Cerezo, treinador com títulos no Japão e bela campanha no Vitória em 1999, está desempregado. Tem propostas do exterior, mas não quer voltar a trabalhar no Oriente. Sem empresário, ele não faz conchavo com dirigentes e não aceita propina de empresários. Por isso, está sem trabalhar. Em compensação, há denúncias de treinadores que dividem comissões com empresários ao ser contratados por clubes e ficam lhes devendo favores. Acabam sendo obrigados a contratar jogadores que pertencem a esses agentes, e assim a coisa vai caminhando.

Infelizmente, não há documentos que comprovem, pois são transações em dinheiro vivo ou depósitos no exterior. Outro dia, um ex-jogador, que prefere não ter o nome citado, me disse que viu na carreira vários treinadores que dividiam dinheiro com dirigentes e jogadores. Ele viu, não ouviu falar.

Essa convocação de Hulk, inexpressivo atacante, artilheiro em Portugal, onde o futebol é de segunda linha, é bem estranha mesmo. Não conheço a história de Mano Menezes e não posso lhe fazer qualquer acusação, por não ter provas. Lembro-me, porém, que, tão logo foi chamado para técnico da Seleção, jornais cariocas denunciaram que seu empresário, Carlos Leite, tinha vários jogadores por ele convocados. Pode ser coincidência. Talvez naquele momento os jogadores do tal agente vivessem mesmo bom momento.

Hulk acaba de ser negociado com o futebol russo por mirabolantes 60 milhões de euros (cerca de R$ 150 milhões). Senhoras e senhores, pode um jogador incrivelmente comum custar mais do que Zidane, Kaká e Ronaldinho Gaúcho no auge? E por que essa proposta não surgiu antes, uma vez que ele é artilheiro em Portugal há tempos? Para complicar ainda mais, Romário afirma que “os direitos econômicos de Kulk também estão ligados a pessoas da CBF”. Essa acusação é séria e grave. Cabe ao Ministério Público ou a quem de direito investigá-la e prender o tal empregado da entidade. É inadmissível tal tipo de relação.

Mano peca na formação do time – já mostrou que é fraco – e por querer agradar aos torcedores. A Seleção jogou ontem em São Paulo, e ele convocou vários jogadores de clubes paulistas, escalando Lucas de titular. O mesmo Lucas que ele não quis aproveitar entre os 11 na Olimpíada de Londres. A convocação do goleiro corintiano Cássio é outra vergonha. Que currículo tem esse rapaz para ser chamado assim de uma hora para outra? São muitas perguntas sem respostas. Por essas e por outras, o futebol brasileiro está cada vez mais na lama. Tecnicamente, é um fiasco. Fora das quatro linhas, desorganizado e mentiroso.

Há muito a Seleção Brasileira, maior patrimônio esportivo do torcedor, tem sido banalizada por técnicos medíocres. Sou da época em que se comemorava convocação de jogador do nosso clube. Dava status ao clube e dinheiro nenhum ao treinador que o chamava. Hoje, pelo contrário, prejudica o clube, e treinadores ricos fazem convocações absurdas.

A CBF também não é nenhuma entidade benta. Lá, tudo pode. É bem possível e provável que o presidente José Maria Marin, que pensava em demitir Mano, mas foi coagido por um de seus assessores a não fazê-lo, feche os olhos para o que ocorre na casa. A Seleção, a CBF e alguns treinadores deste país são uma vergonha para um povo tão apaixonado pelo futebol. Espero que as autoridades competentes ouçam Romário e tomem as providências necessárias. Precisamos saber quem da entidade é dono dos direitos federativos de Hulk. Isso é uma vergonha.

Mais uma vez, o time azul jogou mal. Levou uma aula de futebol de Seedorf, craque na essência. O torcedor não aguenta mais ouvir desculpas de técnico retranqueiro, sem inspiração e vontade de ganhar – só tem medo de perder.

O Atlético só não venceu o Bahia quarta-feira porque não tinha Ronaldinho Gaúcho. O time baiano é horroroso e os atacantes atleticanos não se cansaram de perder gols. Com o retorno do craque amanhã, as coisas voltarão ao normal.