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Episódio Zizao envergonha imprensa brasileira.

21 out

Blog do Paulinho.

É constrangedor o tratamento dado pela imprensa esportiva do Brasil na “repercussão” dos passos do chinês Zizao no Corinthians.

Jornalistas mentem sem o menor pudor, exageram no enfoque de “notinhas” em publicações inexpressivas no exterior, pinçam declarações politicamente corretas de parceiros do jogador, publicando-as com a conotação distorcida, na tentativa de transformar um “mico” do marketing alvinegro num sucesso que absolutamente inexiste.

Na busca pela audiência, tiram onda da situação, aproveitando-se da inocência do atleta, que, empolgado, dá as declarações necessárias para que o ardil dos que exercem a profissão sem o mínimo de seriedade seja alimentado.

Tratam-no com desrespeito disfarçado de admiração, num circo de dissimulação e mau caratismo, sabe-se lá se para garantir o emprego pelo “sucesso” das inverdades ou apenas agradar os que lhes provém de alguma maneira.

Manchetes chegam ao cúmulo de induzir o leitor de que há a menor possibilidade de Zizao ser inscrito no Mundial de Clubes.

Uma aberração jornalística.

Repórteres e editores que deixam algo assim ser publicado deveriam ser melhor avaliados por quem lhes paga, indignos que são de exercer uma profissão que tem obrigatoriamente que ser pautada na verdade.

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Caso Ganso: na correria cega para dar a “chegada de Deus” antes do rival, imprensa chuta leitor, compra versões carimbadas e presta serviço à desinformação.

18 set

Gazeta Press

O Santos acaba de recusar, nesta segunda-feira (17), mais uma proposta do  São Paulo para comprar os direitos econômicos do meia Paulo Henrique Ganso.

É a terceira oferta do Tricolor rejeitada pelo Peixe.

No final de agosto, o clube recusou R$ 10,7 milhões pelos 45% dos direitos econômicos que possui (os outros 55% pertencem à empresa DIS, do Grupo Sonda, que administra a carreira do jogador). Dias depois, disse não à segunda, de R$ 12,6 milhões pelos mesmos 45%.

O texto da nova recusa, publicado na página oficial do Peixe na internet, sob o títuloSantos FC recusa proposta do São Paulo por PH Ganso, é curta e carente de detalhes.

Diz apenas o seguinte:

– O Santos FC informa que recebeu, na manhã desta segunda-feira (17), nova proposta do São Paulo FC pelo atleta Paulo Henrique Ganso. Como o documento não atendeu os interesses do Clube, a proposta foi novamente recusada pelo Comitê de Gestão.

Como se vê, a nota esclarece apenas que a oferta do São Paulo foi recusada por “não atender os interesses do clube”.  Nada mais.

Na sexta-feira (14), quase toda a imprensa boleira nativa dava como certo que esta terceira proposta seria dos R$ 23,8 milhões pelos 45% do Santos. É o que, por sinal, o clube pede desde o início das negociações.

Jornalistas e veículos do ramo informaram também que, no acordo verbal de sexta-feira (14),  dois novos pontos teriam convencido o presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor, a receber só os R$23,8 milhões de sua parte, em vez dos R$ 53 milhões do total dos direitos econômicos para depois repassar à DIS os seus 55% (a empresa, que tem relações arranhadas com Laor, temia que o Santos criasse dificuldade para entregar a sua parte).

O primeiro: o compromisso da DIS de abrir mão de receber qualquer coisa nesta transação. Para isso, não pegaria nada agora e assinaria, em contrato, que o Santos não lhe deve um centavo desses R$ 23,8 milhões. Em troca, o São Paulo daria 55% dos direitos econômicos de Ganso, ou até um pouco mais, numa venda futura. A “abertura de mão” DIS neste momento valeria apenas para o São Paulo. Se o negócio fosse fechado, por exemplo, com o Grêmio, que corre por fora, nada feito.

O segundo: a promessa do São Paulo de depositar à vista, de uma tacada só, os R$ 23,8 milhões na conta do Santos ainda nesta segunda-feira (17).

A coisa teria emperrado neste segundo ponto. Na proposta enviada hoje pelo São Paulo, o pagamento dos R$ 23,8 milhões teria sido dividido em duas partes, com metade a ser encaixada agora e a outra em janeiro de 2013.

Se o acordo verbal foi realmente feito nos termos citados aqui e a proposta enviada hoje prevê o pagamento em duas vezes, os dirigentes do São Paulo, não resta dizer outra coisa, foram primitivos, imaturos e oportunistas no pior sentido que o termo pode incorporar.

Fiel ao estilo irritante e pouco transparente que caracteriza a negociação dos dois lados, Laor disse que o motivo desta terceira recusa “não está no número”, dando a entender que o São Paulo chegou aos R$ 23,8 milhões. Mas, só para não fugir do costume, manteve obscuro o ponto de discórdia:

– Seria antiético falar de uma correspondência que o São Paulo mandou, assinada por seu presidente. Mas o problema não é o número. São as outras condições. O conjunto de frases da proposta não nos agradou. Mas sou democrático e aberto.

Laor, simples: diga o que não agradou no tal “conjunto de frases” e aí todos nós ficamos sabendo quem está certo. Mas não.

Agora, pior do que idas e vindas dos cartolas neste dramalhão mexicano é a forma cega e leviana com a imprensa esportiva nativa e muitos dos coleguinhas que vivem o dia-a-dia dos dois clubes trocam a apuração séria pelo serviço vergonhoso de alavancar os interesses de um ou de outro lado.

Não estou nem falando dos que defendem claramente os interesses de pessoas ou grupos, porque esses não são jornalistas. Falo de uma postura equivocada de profissionais e de veículos.

Na ânsia de anunciar a chegada de Deus à Terra um pentelhonésimo de sugundo antes do concorrente, naquela pulsão muitas vezes irresponsável de publicar algo que faça barulho – qualquer barulho -, grande parte da tigrada já deu como certa, neste episódio, umas 125 versões desmentidas logo depois pela força linear e comovente da verdade não apurada.

Desmentidas porque eram balões de ensaio produzidos para bombar algum interesse antes de sua explosão.

Colocaram Ganso com a camisa oito do Tricolor.

Disseram que o jogador definiu onde morar e comprou casa em São Paulo.

Afirmaram que ele havia topado um pouco provável salário bem menor do que o recebido atualmente no Santos.

E, agora, deram como absolutamente certa, no final de semana, uma negociação que de certa, neste preciso momento, não tem nada.

Se o São Paulo ofereceu a grana à vista e colocou no papel o pagamento a prazo (repito: coloco a questão no condicional), sabe o que ocorreu?

Isso: a suprema maioria dos órgãos de imprensa do País anunciou como fechada uma negociação aberta que, na hipótese do recuo do São Paulo, constrangeria o Santos de, vejam só, exigir o combinado.

O raciocínio é o seguinte: se, apesar da resistência do Santos, quase tudo leva a crer que o final da novela será mesmo Ganso no São Paulo, então não tem problema a gente vitaminar qualquer coisa à mão cheia porque, na hipótese remota dele não ir, tudo soará absurdo e o desmentido poderá ser feito sem maiores pesos.

Que bela prestação de serviço “institucional”, não é mesmo?

E na era da internet, com blogs e colunas em tempo real, onde cada jornalista, na pressa de desovar notícia, vira quase um “veículo em si”, esse problema assume dimensões ainda mais dramáticas e prejudiciais.

Foi assim também, descaradamente, na contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo.

Em um momento ele estava no Palmeiras, minutos depois no Grêmio, outros mais e o “dono” era o Corinthians, em seguida o Fla, depois o Palmeiras, até que…

…até que, com exceção de uns pouquíssimos, todos anunciaram, ao mesmo tempo,  o fechamento do compromisso do jogador com o rubro-negro. Todos na Gávea, com rádio, web, luz, câmera, ação.

E também na saída de R10 da Gávea, para virar R49 no Atlético-MG. Todo mundo comprando a versão de dispensa produzida pelo Flamengo até que… a Justiça anuncia, numa tarde fria e nublada, um processo unilateral do jogador para se desligar do clube. Unilateral. Uma beleza.

Em todos esses casos, o mesmo fenômeno lamentável: a correria insana em nome do “furo” veloz e a qualquer preço transforma a comunicação e não-comunicação, enlouquece o público e o leva a considerar tudo isso um lixo, enquanto espera uma imagem ao vivo dos sujeitos confirmando o que realmente aconteceu.

É o “jornalismo” que abandona no mar a sua razão de ser – o compromisso com o melhor possível para o pobre coitado do público – para se aliar à primeira baboseira plantada na esquina em nome de um falso ineditismo capaz de aplacar vaidades periféricas.

Se for para fazer assim, nos entregando de forma passiva à sedução rasteira de desembuchar qualquer inconsequência, desde que seja rápida, no jornalismo eletrônico de hoje, vamos ao menos avisar ao público para esperar acabar nosso jogo fraco e mal jogado de boatos, quase todos isentos de apuração, para que depois ele tome com fé apenas o último lance.

O São Paulo roeu a corda?

Ou Laor aceitou três dias atrás o que recusou hoje?

Ganso não suporta mesmo a ideia de continuar no Santos?

Ou a essa altura até vê com bons olhos a terceira via Grêmio?

Enquanto isso, aguardemos, pois, os próximos lances de São Paulo, Santos, Ganso e DIS para nos enrolar e produzir cenários favoráveis ao que cada um deles quer.

Mesmo porque, como se viu nesta história, amanhã poderá estar certo todo o errado de hoje.

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