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No banco do Dínamo, Dudu sonha com São Paulo e ‘Menino de Ouro’.

31 out

Os tempos atuais sugerem a cor dourada. Depois de a Fifa e a France Football divulgarem a lista de 23 nomes para a Bola de Ouro, o jornal italiano “Tuttosport” nomeou os 39 concorrentes ao “Golden Boy” (Menino de Ouro em inglês). Como indica o nome, a premiação é dada ao melhor jogador de até 21 anos que atua no futebol europeu. Ainda que um pouco escondido, quase sem oportunidades no Dínamo de Kiev, da Ucrânia, o brasileiro Dudu é um dos candidatos.

– Seria de uma importância enorme na minha vida profissional. Só de estar concorrendo esse prêmio é algo grandioso, mas espero ficar entre os três finalistas. Apesar de estar concorrendo com grandes jogadores, seria legal se esse apelido de “menino de ouro” pegasse – brincou o ex-meia do Cruzeiro em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM. Além dele, o meia Philippe Coutinho, do Inter de Milão, é outro brasileiro – Mario Götze, vencedor da edição de 2011 pelo Borussia Dortmund, El Shaarawy, do Milan, e Marco Verratti, do Paris Saint-Germain, são três dos favoritos à premiação.

Campeão mundial sub-20 com a seleção brasileira na Colômbia, em 2011, Dudu tem também outros planos em curto prazo. Com apenas seis jogos no Campeonato Ucraniano e nenhum na charmosa e midiática Liga dos Campeões, ele sabe que suas chances estão reduzidas. Por isso, não vê com maus olhos um retorno ao Brasil. O São Paulo já avisou sobre o interesse – que por muito pouco não foi concretizado em uma contratação em julho.

– Gostaria de voltar, sim. Ainda mais se fosse para um grande clube como o São Paulo. Seria um sonho a ser realizado, não só meu como da minha família e de todos os meus amigos são-paulinos. Lá em casa é dividido entre são-paulinos e flamenguistas. Também tenho vontade de morar em São Paulo, dizem que também é uma cidade maravilhosa (risos). Vamos ver como as coisas se saem daqui para frente – avisou.

Com Ney Franco no comando, é praticamente certo que o Tricolor Paulista fará nova oferta pelo jogador em janeiro, na reabertura da janela. O treinador é fã declarado do futebol do jogador de 20 anos, com quem trabalhou no Coritiba e também na seleção sub-20. O problema em julho foi a desistência de um grupo de investidores, que pagariam uma quantia próxima a € 5 milhões (R$ 12 milhões na época) pelos direitos de Dudu.

Se o relacionamento com Ney Franco é dos melhores, o mesmo Dudu não pode dizer de Oleg Blokhin. Ex-técnico da seleção ucraniana, ele assumiu o Dínamo de Kiev em setembro e parece não enxergar no brasileiro um grande potencial.

– Isso é o que complica mais para mim. Se eu estivesse jogando mais aqui poderia estar mais forte na disputa (pelo “Golden Boy”). Na Champions eu fiquei no banco e só em um jogo, não tivesse o gostinho de ouvir o hino, entrar em campo. Não sei se ele não curte os sul-americanos, sei que nunca me deu oportunidade – encerrou.

Marco Aurélio Cunha é cabo eleitoral de Lugano.

15 out

Blog do Menon

Marco Aurélio Cunha, ex diretor de futebol de São Paulo e vereador na capital, é o maior cabo eleitoral da volta de Diego Lugano ao São Paulo. Tem falado constantemente com o presidente Juvenal Juvêncio e com João Paulo de Jesus Lopes, vice de futebol sobre a conveniência da volta do jogador.

“A volta dele é muito importante, principalmente se o clube estiver, como tudo indica, de volta à Libertadores. Ele é um jogador fundamental, não só pelo jogo, mas pela presença e pelo caráter. Você não faz ideia de como a presença de Lugano em um vestiário antes de jogo decisivo é importante”, diz Marco Aurélio.

Ele cita dois exemplos para reafirmar a necessidade de se ter um Lugano no time. “Ele me disse que teve foi procurado por um dirigente do Grêmio, com uma oferta bem fundamentada. Agradeceu e disse que não poderia responder nada sem conversar antes com o São Paulo. E o dirigente disse que, depois disso, tinha um motivo a mais para contratá-lo. E você viu agora pela seleção uruguaia? Ele se contundiu e além disso está suspenso. Mesmo assim, fez questão de acompanhar o time até La Paz porque é capitão e não abandona o time de jeito algum”.

A seriedade de Lugano é conhecida. Sua importância junto à torcida, onde é adorado também, mas e o futebol? Com 33 anos e mais lento do que antes, poderia jogar em alto nível? “É só olhar o Índio, que está com 37 anos e joga bem no Inter”, diz Marco Aurélio. “Ele, em um jogo importante, ele com três zagueiros, é alguém muito respeitável e necessário”.

Mas seria necessária a volta do esquema com três zagueiros? “Não sei, mas porque não? O time ganhou muitas vezes assim”.

Terminada a eleição em São Paulo, Marco Aurélio Cunha pretende passar alguns dias com Lugano na França. Quando chegar lá, será difícil convencer a torcida que não está a serviço do clube, com ordem de Juvenal – a quem já teria convencido – de trazer Lugano de volta.

O que conta a favor da volta do uruguaio é que sua contratação por outro clube seria considerada, pela torcida, como uma grande derrota. Algo imperdoável. Torcedor não vota, mas faz um barulho enorme. A janela de janeiro é a próxima oportunidade para trazer Lugano. Juvenal estará pressionado.

Jornal: encostado no PSG, Lugano entra em contato com São Paulo.

15 out

O uruguaio Diego Lugano já entrou em contato para voltar ao São Paulo, informa o jornal francês L’Equipe. Com um salário de aproximadamente R$ 870 mil mensais, ele foi preterido pelas novas contratações do Paris Saint-Germain e não está inscrito na Liga dos Campeões da Europa.

Lugano, 31 anos, chegou ao PSG em 2011 com o status de estrela, mas perdeu espaço com as chegadas dos brasileiros Alex, ex-Chelsea, e Thiago Silva, ex-Milan, e ascensão do francês Mamadou Sakho. Ele sempre esteve envolvido em especulações para voltar ao clube do Morumbi, pelo qual jogou entre 2003 e 2006.

Ele afirmou que ficou sabendo que não estava na lista de convocados para a Liga dos Campeões pela imprensa e ficou surpreso. Acha que merecia outro tipo de tratamento do técnico italiano Carlo Ancelotti e vai esperar a próxima janela de transferências (janeiro) para definir o futuro. Está preocupado por não ter chances, mas mantém a forma física.

Em quatro anos no São Paulo, Lugano ganhou o carinho da torcida pela raça e pelos títulos. Foi campeão paulista, sul-americano e mundial em 2005 e brasileiro no ano seguinte. Deixou o clube para atuar pelo Fenerbahce, da Turquia.

Outros jogadores como Zoumana Camara, Siaka Tiené e o goleiro Nicolas Douchez também devem ser negociados por causa do excesso de jogadores na defesa.

Presidente do São Paulo conta com Ganso para encher Morumbi.

23 set

Perrone

Entrevista com Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo.

A contratação do Ganso significa que o São Paulo trocou mesmo a filosofia de contratar jogadores baratos, em fim de contrato, por reforços caros?

Não é exatamente uma troca de filosofia, mas o aprimoramento da visão de que o clube precisa de ídolos. Primeiro que quando contratamos jogadores de graça é por incompetência dos nossos concorrentes. Se eles tiverem a mesma eficácia que nós, também vão achar atletas livres de seus clubes. Mas entendo que falar que o clube legal, modelo, faz isso é uma notícia que rende leitura.

 Vamos continuar procurando jogadores baratos. Mas houve o aprimoramento da visão de que o clube precisa de mais ídolos para atrair o torcedor. A receita de bilheteria não expressa as necessidades do clube, mas a presença do torcedor expressa. A receita da venda de ingressos não é a mais importante, mas ter o torcedor no estádio é fundamental, pois ajuda a movimentar tudo em volta. E o Ganso é um jogador jovem, talentoso, que atrai o torcedor. Ele vai ser importante não só dentro de campo, com sua técnica, mas também para levar mais gente ao estádio.

O senhor não negociava com empresas. Agora se juntou à DIS para trazer o Ganso. Mudou sua opinião em relação a elas?

Não dá para ignorar que empresas, grupos de investidores e até bancos agora têm participação nos direitos de jogadores. É uma realidade. Não tem como você fugir.  Mas o negócio com a DIS foi pontual. Existia um jogador de 22 anos insatisfeito no Santos, o clube estava insatisfeito, e a empresa também. O esporte não se pratica sem alegria. Então tentamos a negociação. Foi um caso pontual. Não conversamos com a DIS sobre outros jogadores. Vamos continuar formando atletas como ninguém faz.

Chegou a pensar que a contratação não daria certo? Ficou magoado com o Santos?

Teve um momento em que pensei: “vou perder o negócio”. Foi quando o Adalberto [Baptista, diretor de futebol] me ligou à meia-noite, dizendo que o Grêmio tinha entrado no negócio e que o Luxemburgo telefonou para o Ganso. Pensei, tenho que entrar nisso. Liguei para o Luis Alvaro [presidente do Santos] pedi para ele decidir. Um amigo do jogador colocou o Ganso para falar comigo pelo telefone. Disse que se ele queria jogar no São Paulo teria que deixar isso bem claro, era a única forma. Ele fez isso num dia, e no outro ficou resolvido que ele viria para o São Paulo. O Santos mudou várias vezes de posição durante a negociação, houve um desgaste, mas passou.

Muita gente fala que o Ganso tem o perfil do São Paulo…

Ah, ele tem. O Pita [ex-jogador de Santos e São Paulo] é amigo do Ganso e falou isso pra ele. Disse: “já joguei lá, e sei que você vai se dar bem”. Ajudou muito ter uma opinião favorável.

Seguro emperra pagamento da venda de Lucas, e São Paulo usa outros recursos para comprar Ganso.

21 set

O São Paulo ainda não recebeu a sua parte na venda de Lucas para o PSG, por isso precisou usar outros recursos para pagar R$ 16,4 milhões ao Santos por Ganso.

Pelo contrato com o time francês, o pagamento é à vista, mas o dinheiro ainda não foi enviado ao Brasil porque falta a contratação de um seguro. Por problemas burocráticos, ele ainda não foi contratado, e os são-paulinos não sabem quando poderão receber os seus 32 milhões de euros.

De acordo com a diretoria, o tal seguro só pode ser feito com uma empresa da Europa e não é o mesmo usado para indenizar o PSG em caso de lesão de Lucas. Os dirigentes afirmam que se trata de uma cobertura para o caso de o jogador não se apresentar ao time francês.

Apesar do transtorno, a diretoria do São Paulo afirma que não precisou fazer empréstimo para pagar ao Santos. Tinha outros recursos.

Clube exalta acerto com Ganso: “sou Paulo no nome, São Paulo no peito”.

21 set

O site do São Paulo exalta a contratação de Ganso e a vontade do jogador
Foto: Reprodução

O São Paulo não escondeu a felicidade por ter conseguido fechar a contratação do meia Paulo Henrique Ganso após uma longa negociação com o Santos. O site oficial do clube apresenta uma mensagem especial que destaca também a satisfação do jogador: “sou Paulo no nome, São Paulo no peito”.

Em todo o momento, o clube exaltou como o novo camisa 8 queria trocar a Vila Belmiro pelo Morumbi. Diz que o “craque a todo instante bradava pelo seu objetivo: jogar no São Paulo” e “que Paulo Henrique nunca desistiu do sonho”.

Ganso é considerado um atleta “jovem”, “talentoso” e “já consagrado”. Apesar dos 22 anos, o “craque paraense” já tem cinco títulos “expressivos” na carreira: Copa Libertadores, Copa do Brasil e tricampeonato paulista.

“É jovem, talentoso e com o nosso perfil. Mais uma vez o São Paulo mostrou força em fazer parte de uma negociação de grande relevância no futebol brasileiro, assim como foram as vendas de Lucas e Oscar e a contratação de Luis Fabiano”, afirmou o presidente Juvenal Juvêncio ao site oficial.

O jogador deve ser apresentado oficialmente no próximo domingo, no Estádio do Morumbi, antes da partida contra o Cruzeiro, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Ganso assina contrato de cinco anos e, enfim, é jogador do São Paulo.

21 set

Após longa negociação, reviravoltas e concorrência do Grêmio, jogador bate o pé e Santos aceita receber R$ 23,9 milhões para vender o meia.

Por Adilson Barros, Alexandre Lozetti, Marcelo Hazan e Marcelo PradoSão Paulo e Santos, SP

Ganso é do São Paulo pelos próximos cinco anos. Foram 32 dias de novela desde que a primeira proposta foi oficializada pelo meia. Uma novela com reviravoltas, romances, separações, brigas e final feliz para o Tricolor e o jogador, que sempre torceu pelo sucesso da negociação. No começo da madrugada desta sexta-feira, enfim, o clube acertou a contratação junto ao Santos, que vai receber R$ 23,9 milhões, um pouco mais do que os 45% dos direitos econômicos que possuía.

O meia foi à Vila Belmiro e assinou a rescisão e o novo contrato, pouco antes da 1h desta sexta. Cerca de dez minutos depois o nome e a foto dele já não constavam mais no site oficial do Santos, na relação do elenco principal.

Os dois clubes, porém, só confirmaram a notícia em suas respectivas páginas na internet por volta das 2h20. A nota oficial do Santos é extensa – tem 13 tópicos explicando a negociação, sendo o principal problema a pendência judicial com a DIS (veja abaixo a íntegra da nota, no fim da matéria).

– Conquistei e construí minha história aqui. Tenho a consciência de que fiz meu melhor. Saio com a sensação de dever cumprido – disse Ganso, às 2h40, ao deixar a Vila Belmiro.

– Todo o esforço valeu a pena – emendou Adalberto Baptista, diretor de futebol do São Paulo, ao lado do meia.

Na nova divisão, o Tricolor, que desembolsou R$ 16,4 milhões, terá 32% dos direitos de Ganso, enquanto o DIS, que injetou R$ 7,5 milhões para viabilizar a transferência, amplia sua porcentagem sobre o atleta de 55% para 68%.

“Em um momento da negociação, fiquei preocupado, de tão cansativa que ela estava, mas nunca desisti. Tive proposta do Santos, do Grêmio e do Flamengo, mas o São Paulo foi o que mais mexeu com meu sentimento” – Ganso.

No futuro, se o São Paulo vender o jogador por um valor superior, o clube da Baixada ainda terá direito a 5% do lucro obtido pelo rival. Na quarta, pela manhã, o Santos aceitou a nova proposta, mas avisou que não liberaria Ganso enquanto as pendências jurídicas com a DIS não fossem resolvidas. Ocorreram novas reuniões, inclusive com a participação do jogador, que faltou três dias seguidos a sessões de fisioterapia no CT Rei Pelé e exigiu uma definição das partes. À noite, na Vila Belmiro, o martelo foi batido. Antes, porém, Ganso já havia posado para fotos e gravado um depoimento para a equipe do site oficial do Morumbi.

– O que mais pesou foi o histórico do clube, com sua história de grandeza, conquistas e ídolos. Muitas pessoas conversaram comigo, como o Pita (ex-jogador que trocou o Santos pelo Tricolor em 1984), que mostrou um pouco mais da importância do São Paulo no futebol mundial – disse Ganso.

– Em determinado momento da negociação, fiquei preocupado, de tão cansativa que ela estava, mas nunca desisti. Foi tudo feito de forma consciente e da maneira correta e hoje posso dizer que estou muito feliz por acertar com o São Paulo. Durante todo esse tempo tive proposta do Santos, do Grêmio e do Flamengo, que são todos grandes clubes, mas o São Paulo foi o que mais mexeu com meu sentimento. O clube me deixou com muita vontade de jogar e representar bem essa camisa, retribuindo também todo o carinho que venho recebendo dos torcedores. Estou muito feliz. Uma alegria muito grande. É um sentimento único poder representar esse grande clube de nosso país – emendou o meia.

O primeiro acordo verbal entre as partes foi fechado na noite da última sexta-feira,quando São Paulo e DIS se reuniram, acertaram uma composição financeira e informaram ao Santos que pagariam o valor exigido. Nesse mesmo dia, à tarde, Paulo Henrique conversou com o presidente Juvenal Juvêncio por telefone e reiterou seu desejo de atuar no Morumbi.Porém, na última segunda, para surpresa de todos e desespero de Ganso, o Comitê de Gestão que administra o Santos mudou de ideia e disse ter recusado a oferta, despertando uma série de versões conflitantes sobre o motivo de o acordo de sexta não ter sido formalizado.

O Peixe afirmou que o documento não atendia aos interesses do clube. O grande problema foi o desejo de que o DIS aceitasse retirar as pendências judiciais que tem com o Santos, relativas às vendas do volante Wesley e do atacante André para Werder Bremen e Dínamo de Kiev, respectivamente, em 2010. A exigência revoltou os investidores, que recentemente ganharam na Justiça o direito de penhora de 20% das receitas do clube. No acerto, ficou decidido que, em vez de dinheiro, o Santos passaria a ter o CT Meninos da Vila penhorado.

Outro fator divergente era a forma de pagamento. O Santos gostaria de receber à vista, mas o São Paulo se propôs a pagar R$ 12 milhões imediatamente e os R$ 11,8 milhões restantes até o fim de janeiro de 2013 – isso, claro, já incluindo aí o montante que seria bancado pela DIS, já que o investimento total do Tricolor seria mesmo de R$ 16,4 milhões..

Na terça-feira, houve o segundo acerto. Juvenal e Adalberto Baptista, diretor de futebol do São Paulo, se encontraram com Luis Alvaro pela manhã e resolveram as pendências entre eles. O Tricolor topou os termos exigidos e enviou a proposta com pagamento à vista.

Meia jogou ao lado do Tricolor paulista

A vontade de Ganso foi determinante. Primeiro ele demonstrou a Laor toda sua irritação pela recusa da oferta. Depois, em contato com Vanderlei Luxemburgo, reafirmou que queria jogar no São Paulo, o que provocou a desistência do Grêmio de contratá-lo. O desejo de Laor era ver Ganso na equipe gaúcha, para que ele não atuasse num rival estadual, mas esbarrou na resistência do atleta e do DIS. É que Delcir Sonda, presidente do grupo, é parceiro e torcedor do Internacional, e não admite ver seus clientes no Olímpico. Por isso, o DIS abriu mão de sua parte na transferência (55% do valor), ajudou o São Paulo financeiramente e acabou ampliando sua porcentagem sobre Ganso. O contrato terá duração de cinco anos.

Os capítulos da novela Ganso

No dia 21 de agosto, o clube do Morumbi ofereceu R$ 23 milhões, mas para adquirir os 100% do atleta. Seriam R$ 10,7 milhões ao Santos e o restante para a DIS. A oferta seguinte superou os R$ 28 milhões (R$ 12,6 mi para o Peixe), mas Laor emitiu uma nota, afirmando que só negociaria o jogador pelo valor integral da multa: R$ 53 milhões.

Na última quarta-feira, pela primeira vez, o presidente santista abaixou a guarda e admitiu receber só os 45% que lhe cabiam. Foi então que o Grêmio surgiu com força e sinalizou a Laor que estava disposto a pagar.

Mas Ganso deixou claro aos envolvidos sua preferência desde o início. Tanto que afirmou publicamente que “seria um prazer jogar no São Paulo”, e por diversas vezes pediu a Adalberto Baptista que fechasse a contratação, além de ter recusado todas as ofertas de aumento salarial feitas pelo Santos, o que irritou Luis Alvaro. Ele vê no Tricolor a melhor alternativa para recuperar seu futebol e voltar a ser convocado por Mano Menezes. O meia teve o aval do médico da seleção brasileira, José Luiz Runco, que foi consultado pelo Tricolor e informou que ele não tem nenhum problema crônico. O fisioterapeuta do São Paulo é Luiz Rosan, que trabalha também na Seleção e conhece bem o jogador.

A novela teve diversos personagens coadjuvantes. Primeiro foi Ney Franco, que, animado com a possibilidade de ter o meia, admitiu, ainda no dia 21 de agosto, já ter desenhado um campinho com Ganso em seu time. A frase irritou o colega Muricy Ramalho, que sempre pediu publicamente a permanência do jogador. Ney se viu obrigado a pedir desculpas.

Na última quinta-feira, o diretor de futebol do Grêmio, Paulo Pelaipe, afirmou que havia chegado a um “denominador comum” com todas as partes da negociação e que a contratação de Ganso era uma tendência. A torcida se empolgou, em vão.

A relação entre São Paulo e Santos chegou a ficar estremecida durante a negociação. No dia 30 de agosto, pessoas ligadas ao clube da Baixada espalharam a informação de que o rival havia desistido da contratação de Ganso. Como resposta, o Tricolor enviou uma nova oferta e o jogador se irritou com a suposta mentira dos alvinegros. Em seguida, Laor reclamou aliciamento e ameaçou denunciar o São Paulo na Fifa. Adalberto respondeu com panos quentes. Agora, com a contratação definida, os dirigentes também voltaram às boas.

No São Paulo, Ganso usará a camisa 8, que pertence a Fabrício. O volante teve uma lesão séria no joelho e só voltará a jogar em 2013. Com cinco jogos disputados (o limite são seis), ele poderá ser inscrito no Campeonato Brasileiro até sexta-feira. Na Sul-Americana, Ganso vai entrar no lugar de algum dos 25 relacionados antes da próxima fase.

Veja abaixo a íntegra da nota emitida pelo Santos logo após o desfecho da negociação:

Em respeito a seus conselheiros, associados e torcedores, o Santos FC vem a público anunciar que Paulo Henrique Ganso não é mais atleta do Clube.

Considerando que:

1. O Santos FC fez diversas tentativas para manter o atleta Paulo Henrique Ganso na Vila Belmiro, incluindo proposta de Plano de Carreira e ofertas de aumento em sua remuneração, todas recusadas pelo jogador, conforme documentos em posse da direção do Clube;

2. O atleta, inclusive por meio de seus procuradores, manifestou inequívoco desejo de deixar de vestir a nossa camisa, culminando com sua inadvertida ausência do CT Rei Pelé desde o dia 14 de setembro passado, à revelia da Comissão Técnica, o que levou o Clube a descontar os dias de falta ao trabalho;

3- O São Paulo FC apresentou sucessivas propostas ao Santos FC para aquisição dos direitos federativos do atleta, insistentemente rechaçadas, culminando com oferta de R$ 23.940.000,00 à vista, valor correspondente à participação em direitos econômicos que o Santos teria para uma transação no mercado nacional;

4. O Santos FC está acionando a empresa DIS no Judiciário, com respaldo em parecer de jurista gabaritado, onde é discutido contrato lesivo a direitos do Clube, que envolvem a cessão de 25% dos direitos econômicos de Paulo Henrique Ganso, Wesley, André e outros quatro atletas;

5. A DIS ajuizou processo de execução contra o Santos FC, em que pretende receber R$ 5,1 milhões (conforme atualização feita por seus advogados), por força da negociação do atleta Wesley ao Werder Bremen (Alemanha), especificamente pelos 25% dos direitos econômicos abrangidos no contrato cuja ilegalidade está sendo discutida no Judiciário (item 4 acima);

6. A ação de execução promovida pela DIS foi garantida por imóvel oferecido à penhora pelo Santos FC – CT Meninos da Vila -, para viabilizar a discussão do mérito das ações até um final pronunciamento do mérito pelo Judiciário;

7. A DIS insurgiu-se contra a penhora por meio de recurso de agravo de instrumento dirigido ao Tribunal de Justiça, obtendo decisão favorável que bloqueou parte dos créditos do Santos FC junto a patrocinadores e à Rede Globo de Televisão;

8. A penhora de crédito é extremamente nociva ao fluxo de caixa do Clube, ao contrário da garantia imobiliária que permitiria uma discussão do mérito sem impacto financeiro negativo;

9. Por fim, o Santos FC espera que o Judiciário reconheça a lesividade do contrato, em processo que se tramitará sem traumas ao Clube, vislumbrando, portanto, um desfecho favorável à nossa agremiação;

10. O Santos FC, sobretudo ante ao inequívoco desejo do atleta de não mais vestir nossa camisa, concordou em transferir o Paulo Henrique Ganso ao São Paulo FC pelo valor líquido de R$ 23.940.000,00, mais percentual sobre lucro em venda futura, desde que a DIS aceitasse desistir imediatamente da penhora de nossos créditos;

11. Conforme repercutido na imprensa, o impasse realmente persistiu ao longo dos últimos dias, até que a DIS concordou em substituir a penhora mencionada no item 7 acima;

12. O Santos FC, conforme todos os esclarecimentos acima prestados, informa a seus associados e à sua torcida que a cessão do atleta acabou formalizada após desgastante processo negocial, em que se procurou a obtenção do melhor cenário possível a nosso Clube;

13. A direção do Santos FC esclarece que não pretende e que jamais permitirá qualquer dano a seu patrimônio, registrando que a penhora no CT Meninos da Vila configura mera garantia, necessária a viabilizar a defesa de nossos interesses, de forma a invalidar contrato já considerado lesivo por nosso Conselho Deliberativo;

13. O Santos FC considera virada esta página de sua inigualável e Centenária história, colocando definitivamente um ponto final nesse episódio.

COMITÊ DE GESTÃO