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Paulo Miranda curte nova fase como lateral e até ‘garçom’: “Ganhei confiança”.

10 out

Por Ricardo Gomes, da PLACAR

Há pouco menos de cinco meses, Paulo Miranda era execrado no São Paulo. Recém-contratado junto ao Bahia, onde tinha sido destaque no Brasileiro de 2011, o zagueiro patinou em seu início do Tricolor. Após sucessivas falhas, foi sumariamente afastado do time titular a pedido da diretoria são-paulina. O episódio abreviou a segunda passagem de Emerson Leão pelo Morumbi, encerrada em agosto julho último.

Com a chegada de Ney Franco ao comando técnico do São Paulo, Paulo Miranda reascendeu. Em pouco tempo, ganhou a confiança do técnico. Ganhou tanto que, na emergência de um lateral direito – Douglas havia ficado de fora por lesão -, acabou se aventurando na posição, algo que, segundo o próprio jogador, jamais havia acontecido.

No flanco do campo, Paulo Miranda emendou uma sequência de boas partidas, tendo o seu ápice no último domingo, quando fez atuação segura ante o Palmeiras. De quebra, se lançou ao ataque e deu passe açucarado para Luis Fabiano marcar 3 x 0 para o Tricolor.

Em entrevista à PLACAR, Paulo Miranda fala sobre o seu novo posicionamento no São Paulo, o passe magistral para Luis Fabiano no clássico contra o Palmeiras, que rendeu até elogios dos seus companheiros, e os planos do Tricolor no Brasileiro e na Sul-Americana.

Você tem se saído bem como lateral direito. Pretende abandonar o miolo da zaga e adotar a nova posição definitivamente?
Todos sabem que eu sou zagueiro. Mas como o Ney Franco precisou (de um lateral direito), acabei indo. Acho que estou bem, e isso é muito importante na minha carreira. Jamais havia jogado como lateral direito. Nem em treinamento. Fico feliz com esse novo momento.

Então, para quem nunca havia atuado mais à frente, deve ter ficado surpreso com o belo passe que deu para Luis Fabiano no terceiro gol do São Paulo sobre o Palmeiras?
Foi engraçado. No vestiário, todo mundo começou a me zoar, dizendo que dei um passe ‘à la’ Ronaldinho Gaúcho (risos). Isso me dá mais confiança.

Logo depois do clássico, o Rogério Ceni disse que você era um ‘Lugano mais técnico’. Acha que é para tanto?
É bastante gratificante receber um elogio desse. Eu procuro dar o máximo de mim dentro de campo, em cada partida. Isso só mostra que eu tenho capacidade para jogar num time como o São Paulo. Espero um dia alcançar o que o Lugano conseguiu no futebol.

O São Paulo está na quinta colocação do Brasileiro, quatro pontos abaixo do Vasco, primeiro time no G-4 e rival nesta quarta. É o jogo do ano para o Tricolor?
Temos que vencer o Vasco, só isso. É um adversário direto por uma vaga no G-4, que é o nosso objetivo no Brasileiro. Temos também que começar a somar pontos fora de casa para subir na tabela.

Acha que o empenho na Sul-Americana, torneio que o São Paulo tem boas chances de passar à quartas de final (basta vencer a Liga Loja, em casa), pode conflitar com essa reta final de Brasileiro?
Dá para conciliar. Temos que entrar firme nas duas (competições). Estamos bastante focados. Sabemos da importância de ganhar uma vaga na Libertadores através da Sul-Americana.

Por fim, ficou alguma mágoa com a diretoria do São Paulo após o pedido do seu afastamento?
Não ficou nenhuma mágoa. É algo que já passou. Procurei mostrar meu valor nos treinamentos e jogos. Eu sabia que poderia jogar num grande clube. Nunca duvidei da minha capacidade.

Bahia manda no jogo e consegue justa vitória contra o São Paulo. Alguns jogadores do time de Ney Franco merecem severas críticas.

3 set

De Vitor Birner

Bahia 1×0 São Paulo

O Bahia foi superior ao longo de quase todo o jogo. Ganhou o meio-campo, teve a inciativa de buscar o gol e venceu porque alguns jogadores do São Paulo falharam além da conta.

Os laterais Cortez e Douglas marcaram e apoiaram mal. Cícero também merece severas críticas.

Perdeu duas boas chances (Luís Fabiano provavelmente teria  aproveitado ao menos uma) em contragolpes ainda no primeiro tempo e lembrou um poste ao ser driblado por Gabriel no lance do gol.

O meia atacante do Tricolor de Aço aproveitou a falha de Rhodolfo, que entregou a bola de presente, a moleza de Cicero e fez bela jogada no lance que garantiu a segunda vitória seguida ao Bahia.

Resultado justo.

Escalações

Bahia – Marcelo Lomba; Neto, Danny Morais, Titi e Jussandro; Fahel, Diones, Hélder e Zé Roberto; Gabriel e Souza.

São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Rafael Tolói, Rhodolfo e Cortez; Paulo Assunção, Denílson, Maicon, Jadson e Lucas; Cícero

Quinze minutos de jogo aberto

O Bahia foi para cima.

O São Paulo, talvez por causa do calor, ou quem sabe simplesmente por opção tática, esperou na linha que divide o gramado para iniciar a marcação.  Queria roubar a bola ali e pegar a defesa do adversário aberta.

O Tricolor de Aço já atua tal qual Jorginho gosta. É ofensivo.

Nos primeiros 15 minutos, o Bahia ultrapassou com facilidade a marcação de Cícero, Lucas e Jadson.

O meio-campo anfitrião ficou com a esférica no campo de ataque e soube explorar as avenidas Douglas e Cortez. Especialmente a da lateral-esquerda.

Gabriel observou o espaço deixado por ele e tentou usá-lo. Diones fez o mesmo.

Todos os atletas do meio-campo do Bahia ajudaram na articulação dos lances de gols.

Zé Roberto, o maior responsável pela criação, atuou na esquerda.

Hélder e Fahel, um pouco atrás dele, também apareceram na meia. Puderam fazer isso porque os laterais Jussandro e Neto apoiaram alternadamente.

Um deles sempre ficou na mesma linha de Titi e Danny Morais, os zagueiros, para formar o trio responsável pela marcação de Cícero, substituto de Luís Fabiano, e do outro jogador são-paulino que aparecesse pelos lados do ataque.

Bahia pressiona. São Paulo tem as melhores chances

Nesses 15 minutos de jogo aberto, o Bahia foi superior e o São Paulo teve as principais oportunidades.

Os cruzamentos dos comandados de Jorginho, executados da linha de fundo, levaram perigo.

Apesar de Rogério Ceni não precisar fazer nenhuma grande intervenção, o anfitrião ficou perto de balançar a rede.

Faltaram mais de qualidade nos cabeceios de Souza e de sorte para a gorduchinha sobrar na área para alguém do Bahia após a zaga são-paulina dar o rebote.

O São Paulo, apesar de pressionado, teve as principais chances nos contragolpes.

A postura do Bahia abria a possibilidade de o time de Ney Franco, forte no contra-ataque, fazer 1×0.

Cícero teve duas oportunidades. Ele ficou de frente para Marcelo Lomba, chutou ambas no canto direito e o goleiro foi perfeito.

Equilíbrio

Lá pelos 15 minutos, o São Paulo acertou o trabalho defensivo e equilibrou o confronto.

O jogo perdeu velocidade e passou a ser disputado no meio, longe dos goleiros.

Jadson roubou a bola uma vez na defesa do rival e obrigou Marcelo Lomba a executar outra difícil intervenção.

O Bahia levou perigo quando, em cobranças de faltas, cruzou a redonda na área.

Ataque x contragolpe

O Tricolor de Aço retomou a pressão na etapa complementar. Novamente tomou a inciativa de atacar, ganhou o meio-campo e  decidiu correr riscos em busca do gol.

Aos 10 minutos, insatisfeito com o desempenho de sua equipe, Ney Franco trocou Maicon por Osvaldo.

Cícero podia recuar para cooperar com Denilson e Paulo Assunção nos desarmes, e com Jadson na criação.

Osvaldo, aberto na esquerda, aumentou a força dos contragolpes, principal jogada ofensiva  são-paulina no Pituaçu.

Ambos os times perderam chances.

Aos 20, Jones Carioca entrou no lugar do cansado Zé Roberto.

Gabriel e a pane na dafesa são-paulina fazem a diferença

Gabriel utilizou os dois lados do ataque e ainda aparaceu na meia. Era um dos destaques da boa apresentação do Bahia.

Aos 25, ganhou um presente do sistema defensivo do rival e mostrou qualidade para superar Rogério Ceni.

O anfitrião pressionou a saída de bola, Rhodolfo errou o passe, Gabriel recebeu a dita cuja do zagueiro, driblou pseudo marcação de Cícero (pareceu um poste no lance) e como não havia copertura, da entrada da área, chutou de maneira inteligente, no canto esquerdo.

Belo gol dele tirando proveito dos equívocos do visitante.

Fraca arbitragem

Marcio Chagas não deu dois cartões vermelhos.

Douglas, que apoiou muito, não criou nada e deixou bastante espaço para o Bahia, deu duas entradas dignas de cartões amarelos.

Chegou atrasado na dividida com Jussandro e noutro lance acertou o adversário caído. Merecia amarelo em ambas as jogadas.

Aos 29 minutos, Fahel deu um carrinho em Lucas, que estava na frente dele. O soprador mostrou o amarelo, mas era jogada de cartão vermelho.

A auxiliar Janette Mara Arcanjo, integrante do quadro da bandeirinhas da FIFA, viu dois impedimentos inexistentes contra o São Paulo.

Ela só não virou manchete porque os visitantes falharam nas finalizações.

Justa vitória

Aos 30, Ney Franco colocou Ademilson no lugar do quase inútil Cortez. O lateral marcou e apoiou mal.

Jorginho, preocupado com a falta dura de Fahel e o cartão que o volante recebera, botou Fabinho na vaga dele.

Fahel precisava fazer a cobertura na direita do ataque adversário. onde Lucas atuou.

Fabinho entrou para cuidar disso.

Aos 34, Wellington substituiu Denilson.

Aos 43, Mancini entrou e Gabriel saiu.

O São Paulo não foi capaz de pressionar o anfitrião e incomodar Marcelo Lomba.

Vitória justa do Bahia.